Sábado, Outubro 31, 2009

Episodio 3: Fuga para o estrangeiro

Tem sido difícil escrever esta semana. Há dias que andamos escondidos, por falta de clareza, mas sobretudo porque estamos cheios de medo. Não tem sido fácil sobreviver nestes dias, comparados com os dias seguintes à acção judicial, esta semana faz parecer esses dias umas férias de verão dos estudantes, que passaram para o segundo ano de faculdade. Relatar os acontecimentos desta semana é uma tarefa inóspita, árdua, complicada, mesmo para mim.

Há uma semana atrás enquanto lavava a loiça, estavam na sala a conversar: Stonexxx, Tanner & Jones e o cagalhão. Bem, na realidade Stonexxx e Jones diziam umas palavras soltas, enquanto Tanner e o Kosta acenavam compreensivamente, embora o último não compreendesse nada do que se dizia. Quando acabei, parei à porta da sala para lhes falar.

- Pronto já está!

- Como é que fizeste isso? – questionou-me Jones desconfiado.

- Sim, porque desconhecia as tuas façanhas de magia… - comentou jocosamente Tanner – Lavar a loiça toda, em dez minutos…

- Incrível, a fazerem uso da vossa aptidão de detective, já há algum tempo que isso não se mostrava. – respondi-lhes – Além do mais, não posso revelar os meus truques de magia, mas deixo um nome no ar: Máquina de lavar.

Como não fiquei na sala, não sei se desenvolveu a conversa, até mudar a nossa existência por completo. Porém, imagino que tenha sido algo como isto.

Na minha visão, eles estariam na sala, iluminada pela televisão, que passaria um programa da TVI. Eles seriam um grupo constituído pela média de Q.I. da audiência do tal canal e estariam a saltar em cima dos sofás e da mesa (que todo o português tem na sala, para pôr coisas). Estes quatro chimpanzés se emocionariam quando o programa mostrasse como se faz uma bomba de ácido. E então decidiriam fumar uma.

Para quem não sabe, a bomba de ácido proporciona um espectáculo questionável, todavia é uma experiência bastante enriquecedora para mentes ávidas pela descoberta, os quais são perseguidos por vaginas nos seus pesadelos, que é o meu caso, e também é uma enriquecedor para indivíduos que necessitaram de uma hora, para aprenderem a separar o lixo, como é o caso destes destemidos jovens cerebrais. Portanto, foi sobre este último pretexto, que decidiram fazer uma bomba de ácido muriático contudo, para aumentar a adrenalina, que alimentam estes seres exóticos, sedosos por novas experiências e por pregar partidas, decidiram provocar esse ilustre espectáculo num bairro social. O bairro escolhido foi o bairro da Rosa, frequentado maioritariamente e estranhamente por imigrantes de leste e como se esta audácia não bastasse, decidiram fazer de madrugada.

Pelo pouco que sei, a hora marcada foi para as cinco da manhã. Obviamente, estes amadores não me convidaram, à hora do acto eu dormia numa ignorância feliz, entre pesadelos com vaginas e mamas. Na minha feliz ingenuidade, eles não me convidaram porque sabem que só acordo ao meio dia… (Não me julguem, fico a escrever até tarde.) Mas a realidade é outra. Antes de Tanner apreender um carro para si, eu era o único que possuía um carro próprio, comprado com o dinheiro da árvore das patacas, e nessa altura, todos eram amiguinhos e me faziam favores, depois disso deixei de ver até o Prof. K.

Mas voltando à história, o Kosta adormeceu, eles ignoraram e seguiram o seu caminho. Isto para mim é óptimo, uma vingança pessoal, a qual nem tive de fazer nada, quando era comigo, o Costa nunca ficou em casa, até cheguei a defendê-lo, que seja uma lição. Às cinco horas e oito minutos, a bomba explodiu, houve vinte segundos de silêncio, que foi quebrado por um tiro de uma arma. E não houve mais silêncio naquele bairro durante dias…

Provavelmente, já viram, leram, ouviram esta notícia nos média. Por isso não me vou alongar sobre o assunto, até porque não estive presente. Pelo que sei, esta brincadeira gerou uma guerra tribal e depois envolveu-se com a polícia e houve várias mortes de ambos os lados.

Continuando, Tanner acordou-nos de rompante a todos, inclusive o Ramon, que não imagino, porque raio dormia ele no quarto do professor. E porque raio o chamamos professor?

- Seu animal, não vês que horas são? – questionou enervado o professor.

- Sei lá, cinco e meia? – respondeu Tanner sem entender a razão de tal alvoroço.

- E o que costumas fazer a esta hora?

- A prender gente inocente como bodes expiatórios, para os meus crimes…

- Imagino, - comentei – e com que cérebro fazes isso? Pedes algum emprestado?

- Duh… Devo ser o mais inteligente da força…

- E o mais forte também! – elogiou Ramon.

- Duvido – desdenhou Jones.

- Parem com o “speak”, torrados. Temos de dar de fuga! – exclamou no seu próprio dialecto Stonexxx.

- Se for para ir para a Figueira da Foz e ir ao seu casino, podes-me dizer. – disse o prof. – Que eu alinho.

- Siga. – respondeu Tanner.

- Não, burro do caralho. Tenho que ‘tar sempre a dizer-te as coisas, vamos embora, - ordenou Jones – vamos, não há tempo para explicações.

Saímos todos num monovolume, apreendido pelo Jones. A meio do Alentejo, o professor perguntou:

- Já temos tempo para uma explicação?

- Não… - respondeu Jones secamente.

- Quem arranjou este carro?

- O Jones claro… - Tanner meteu-se na conversa, chateado.

- Devíamos ter feito como tu querias, dois Honda Civic rebaixados… - disse Jones amargamente.

- É o polícia mais inteligente da força, sem dúvida. – ironizei.

- Podemos ir comprar bolachas? – perguntou o Kosta.

Ninguém lhe respondeu. Passado uns minutos e uns quantos quilómetros o prof. K. perguntou:

- Temos tempo para ir comprar bolachas?

- Para isso temos, - respondeu Jones – onde queres ir comprar?

- Para isso já temos tempo? É melhor ignorar… Vamos ao LIDL.

- És maluco.

- Dia?

- Daqui bocado queres ir à praça – e ria-se sozinho Jones.

- Onde? Então? Modelo?

- Sim, podemos ir aí.

- Qual é a diferença?

- É uma longa história…

- O que ‘tavas a fazer no quarto do professor? – perguntou o Kosta ao Ramon.

- Estava a…

- ‘Tá calado, florzinha! Não queremos saber. – disse Tanner.

Chegamos ao Allgarve. O Dr. Martin já nos esperava.

- Bem-vindos à minha santa terra, colónia britânica. Já vos arranjei “a nice place”, para permanecerem.

Tanner contou a história toda, com detalhes fantásticos, literalmente e com algumas mudanças subtis, tais como:

- Foda-se Kamon, só tens ideias de merda – reclamou comigo o prof. K.

- Oi? Eu nem sabia o que se passava até agora!

- Deves esperar que eu acredite em ti?

- Não se vê logo, que é uma ideia vil, só podia vir do teu cérebro esmagado, dentro desse teu crânio minúsculo. – picou o otário do Kosta.

- Tu ‘tá caladinho, ó cabeçudo. Vai mas é mandar cabeçadas nas empenas da praia de Albufeira.

Isto sim, foi uma ideia vil. Meia dúzia de pessoas perdeu a vida graças a esse pequeno incidente. Estúpido cagalhão que acarreta qualquer ordem, Maria-vai-com-as-outras.

- Também, - continuei – ninguém deve saber que estamos envolvidos, e mesmo que se descubra, não terá represálias no julgamento. Temos sempre o Dr. Joseph para nos defender. – apontei para o doutor que coçava a pêra à advogado.

- Não te deixes iludir pela barba. – respondeu Dr. Martin.

E por isso tivemos umas ricas férias no estrangeiro, porque ainda ninguém teve coragem para sair de casa...

Sábado, Outubro 24, 2009

Temporada 2: Sozinho em Casa

Como o Moleskine mágico foi apreendido pelos senhores da capaz autoridadezinha e veloz justiçazinha e eu estou farto da pasmaceira dos mesmos jogos da PS3 (raios partam à Sony que não têm feito nenhum jogo que possa rivalizar com os "costalengas" da microsoft [e sim, inventei um novo adjectivo]), decidi roubar um caderno antigo do chato do prof. K. e qual não é o meu espanto, quando encontro um caderno cheio de símbolos de bandas de Metal na capa e ao canto já quase ilegível devido a esses mesmos símbolos, tem inscrito:

TEXTOS E POEMAS 1996

Ingénuo, pensei que aquele caderno não teria nenhuma página em branco, mas também curioso como sou, abri o caderno e reparo que só tem duas páginas riscadas. Riscadas, sim! Com traços sem sentido e apenas uma frase... incompleta. Quem ler isto deve achar que falo à toa, que tive sete, oito meses de páginas em branco e agora venho criticar deste modo a sua inércia, falta de concretização do lerdo prof. K. Pois, mas ele teve doze meses e nem se dignou a acabar uma frase.
Voltando ao que interessa, ultimamente tenho estado sozinho em casa, como no filme, abandonaram-me... O que tem sido óptimo!


Costa (especado por trás de mim) - Ah... Não estás sozinho.


Isto de estar sozinho tem os seus inconvenientes, começo a ouvir vozes regularmente.


Costa - Isso é porque não estás sozinho e já te pedi para ires lavar a louça, não podemos andar a comprar mais pratos de plástico no chinês. Os pratos já estão amontoados na bancada há seis meses.
Prof. K. - É Ridículo! O Tanner e o Jones já usam os químicos do plástico, para fazer droga. Que é muito boa, por acaso... No outro dia, sonhei com uma mulher, mãe de dois filhos, loura, avantajada, a dançar no meu colo, começou a despir-se...
Tanner (com desdém) - E Depois? Vieste-te antes que ela tirasse o cachecol?
Prof. K. (respondendo da mesma forma) - Não, quando ela tirou a blusa, reparei que tinha feito cesariana e acordei.
Kosta - Por momentos, pensei que tivesses acabado o sonho a meio...
Prof. K. - Não 'tou a gostar dos teus modos, andas muito parecido com o Kamon...
Jones (mocado) - Cesariana... (ri-se sozinho, todos ficam a olhar para ele) Cesariana...


Perguntam-se talvez, porque raio estarei sozinho em casa? Para quem ainda não percebeu, o moleskine foi apreendido e houve alguns problemas com a autoridade. Desde então o Prof. K. passa a vida com o Dr. Martin para limparem o cadastro, o costalengas andava com ele claro... O Tanner e o Jones andavam pela feira da ladra, a venderem drogas feitas com plásticos e algumas coisas do prof. K., que ninguém comprava. O Stonexxx dia sim, dia não, tinha uma "overdose" e já quase que não saía do quarto, ele próprio já se conseguia auto-medicar... É o stress de uma vida difícil, perseguidos pela justiça, devido às teimosias de um ser insignificante que não conseguiu fazer nada de jeito e com inveja de que a sua criação se tenha tornado melhor que o mestre.


Prof. K. - Não achas que estás a exagerar?


Mas de onde vêm estas vozes?
(E perdi o meu Moleskine hoje. Por isso, este blog está de luto.)

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Temporada 2.preâmbulo/ep.1.Acção Judicial

Este diário foi suspenso até futura decisão e conclusão do processo ‘Deus vs. Prof K’. Pede-se aos leitores do diário que não abandonem os intervenientes do mesmo, pois estes estão a passar por momentos extremamente difíceis, especialmente o Kostas, uma vez que o autor passa agora o seu tempo a jogar playstation, e o Kostas fica sem nada para fazer.


A notificação chegou há cerca de dois meses, sendo apenas possível, por enquanto, deixar aqui breves declarações e pedaços de relatórios.


Quando chegou a carta com a intimação do tribunal, o Prof K. pensou tratar-se de publicidade do rancho das coelhinhas (do qual é subscritor), e como tal, não sendo tarado, não abriu, pois publicidade não dá para ver o ‘real deal’, como ele diz. Mandou a carta fora. No dia seguinte chegaram mais duas cartas, que o próprio Kamonstein se encarregou de eliminar, dando-lhe uso doméstico de higiene recto-pessoal. No dia seguinte, chegam mais três cartas, cujas são imediatamente utilizadas por Tanner e Jones de forma a imprimirem selos semelhantes aos do Monopólio, que lhes permitissem equilibrar as suas finanças, usando a sua Hp deskjet 720. Mas como o tribunal é teimoso que nem uma mula, no outro dia, enviou quatro cartas iguais, desta feita interceptadas por Kostas que decidiu que a era digital já tinha chegado e estava na hora de declarar guerra ao papel. Passou umas boas quatro horas a tentar queimar o papel com o flamethrower do GTA, utilizando o joystick. Um dia mais tarde, chegaram não uma, não duas, não três, não quatro, nem cinco cartas (enganei-vos, ah ah). Chegaram seis! Estas cartas foram aproveitadas pelo Stonexxx, para fazer filtros. Isto durou até ao dia em que a cama do Prof K. estava inundada de cartas. A princípio, o Professor ficou contente, pois pensou que finalmente o tinham chamado para a escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, mas depois percebeu que tinha trinta anos e já não ia a tempo. Abriu a carta na mesma e aí ficou apavorado (além de ultrajado por ter recebido tantas cartas. Isto já dava para processar o tribunal. Uma pessoa a tentar dormir e dá por si mergulhado num mar de cartas. Não respeita o bem essencial do homem: higiene de sono, hoje em dia muito importante. Isto constitui dano psicológico irreversível para o meu constituinte.).


Todos os intervenientes foram chamados à esquadra para prestar depoimentos, sob o meu supervisionamento e posso passar a citar algumas declarações pelos corajosos indivíduos que represento:


Prof K: Vai pó caralho ó filha da puta!


É preciso atentar que o meu cliente estava sob muito stress naquela que foi a sua primeira detenção. Óbvio que uma pessoa que se acha nestas condições pela primeira vez perde a cabeça.


Prof K: Tu foste o cabrão que me prendeu quando eu estava na posse daquela coca para vender! Mamaste-a toda, aposto! Se quiseres mamar mais, tens aqui um ‘ganda’ canhão, podes-te servir.


Aqui era óbvio que o polícia era um drogado. Tem futuro este rapaz, tem tem.



Tanner e Jones: Como é? Vamos comer um donuts, beber um chocolatito quente e ver os DVD’s pirateados ali do Simões? Ele tem ali o novo Pantera Cor-de-rosa.


O Kamonstein, como sempre, foi muito condescendente, e não percebo o porquê de os senhores agentes terem desancado à pancada o meu cliente. Não me esqueci do nome deles, agente Simões e agente Sermões.


O Kostas foi enviado para a polícia judiciária de forma a ser interrogado por actos de hacking. Os senhores agentes pensaram que ele não tinha nada a ver com o caso por estar mais interessado em desvendar os segredos da máquina de café e do seu preço tão apelativo.


Stonexxx: Eu não tenho nada a ver com a droga espalhada na carpete.


Pedimos assim aos leitores que aguardem pelo veredicto deste processo complicado. Mais desenvolvimentos surgirão nos próximos dias, ou semanas… ou meses… (bem o caso freeport já é falado há 4 anos e só agora houve apreensões, portanto…).


Disponibilizo também o nib do Professor pois este tem de acarretar com severas despesas judiciais e neste momento não tem o Stonexxx disponível para fazer tráfico.

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O advogado de defesa:

Dr. Joseph Mary Martin

Sábado, Novembro 22, 2008

Episódio 6. Stonexxx (parte 3)


Foi a maior desilusão do ano. Maior ainda do que quando a Manuela F. Leite ganhou ao Pedro Passos Coelho para o cargo de secretária geral. Maior do que quando descobri que após a Revolução Francesa, foi Robespierre que ficou no poder. Maior ainda do que a PS3 em comparação com a X-Box 360.
Só não é maior do que a desilusão que tive quando soube que ia haver um Saw 5, ou Home Alone 4.
Cheguei a casa, e o Prof. K estava à minha espera, qual pai que espera a filha de 16 anos que chega a casa depois das 17:30. Expliquei-lhe o sucedido e ele em tom de desaprovação, começou logo a censurar-me.

Prof. K: Eu não queria ser o velho do Restelo, mas via-se logo que isso não ia dar em nada.

Kamon: Tu? Pelintra como tu és, só se fosse velho do Intendente. Ah, o teu "dealer" foi preso.

Prof. K: O quê!? Tu estás maluco? Eu já andava a ressacar e tu agora ainda me fazes isto? E agora, como é que eu escrevo o meu diário, à maneira do surrealismo?

Kamon: Eu logo vi que para criares alguém tão altamente como eu, tinhas de estar sobre o efeito de drogas. Porque essa criatividade é zero.

Prof. K: E agora meu merdas? Como é que eu faço para ter droga?

Kamon: Eu diria para usares a cabeça, mas visto já a doaste toda ao cagalhão, usa o Moleskine.

Cagalhão: Chamaram!?

Kamon e Prof. K (uníssono): Não!!

Prof. K: Vou acabar é com esta vida. Hei-de escrever isto sem recorrer a drogas. Vá, aqui vou eu... (Passado 15 minutos)... Como é que se escreve 'a'?

Kamon: 'A'?

Prof. K: Sim, para começar: "A história passa-se desta maneira".

Kamon: A sério, usa o Moleskine.

Nessa noite, o Prof. K criou mais um personagem, após ter tentado inúmeras vezes, e ter apagado em seguida, a quem demos o nome de Stonexxx, por razões óbvias. Eu acho que não consigo descrever esta personagem, porque era um ser algo disforme, mas tinha olhos semicerrados e barriguinha e uma atitude relaxada.
Assim que o vimos pela 1ª vez tentou logo impingir-nos droga, e o seu poder de persuasão era tão grande que todos acabámos por ceder. Aquele senhor da droga era capaz de vender droga a Deus, caso ele existisse e tivesse uma "Hellgirl's Mansion".
Depois disso, só me lembro de ter entrado no mundo do país, do universo, das maravilhas, e descer no rio de morango indo desaguar ao mar de melancia. Fizemos também uma roda com os elefantes cor de rosa, as vacas que tossiam e as galinhas com dentes.
Para finalizar a minha memória dessa noite rezámos aos deuses Maradona, Jimmy Hendrix e John Bonham.

Domingo, Novembro 16, 2008

Episódio 5. Stonexxx (parte 2)


Estávamos agora na rua em frente à vitrina onde a minha musa trabalhava. Estava tudo a postos. O plano traçado. Nada poderia falhar. Enquanto esperávamos e revíamos o plano, o Tanner sintonizou a rádio Orbital.

Tanner: Estou ansioso por dar este golpe. A ver se finalmente compro o escape ‘Remus’.

Jones: Mas de que porra é que ‘tás a falar?

Tanner: Então meu, o escape ‘Remus’! Depois de termos o dinheiro do golpe devo ser capaz de o comprar, ou não? Ao menos um tubo de escape!

Kamon: Mas estás a falar de quê Gervásio?

Jones: Vai mas é separar garrafas!

Tanner: Mas vocês estão-se a tripar ou o quê? Já não se lembram do plano, estes queimados!

Jones: É o seguinte. Isto não é um golpe. Ou melhor é…

Tanner: Vês! Depois sou eu que percebo mal, afinal é um golpe!

Jones: …para o Kamonstein engatar a miúda dele! Aproveitamos e somos promovidos na nossa esquadra.

Já não podia aguentar esta discussão, saí do carro e disse que ia agir. Mas logo voltei a entrar. Estava demasiado nervoso. Não ia resultar, e eu ia perder para sempre a minha Vénus do sec. XXI.

Tanner: Então otário? ‘Tás aqui a fazer o quê?

Kamon: Não sou capaz.

Tanner: Vês Jones!? Isto é o que dá não trabalhares com profissionais!

Ganhei coragem, era desta… O plano era meter conversa com um traficante de droga, um que por sinal vendia ao professor Kerberos, mas isso era uma coincidência, ou não. Lembro-me perfeitamente de cá ter vindo com o prof. K. O traficante era um surfista, um desses miúdos que foram à antestreia do High School Musical, um daqueles rapazes com rastas, aquilo a que eu costumo chamar de ‘verdes’. Daqueles que dizem que não gostam de tourada e quando argumentam contra, dizem perceber tudo sobre a tourada e, no entanto, não são toureiros, nem têm ninguém ligado a tal arte. Que insinuam sobre vários assuntos, cujos não percebem. Isto foi na altura em que o K estava a dar aulas de substituição porque uma professora de secundária estava grávida pela terceira vez nesse ano. Mas por outro lado, acho que é um direito deles fazerem passeios e pic nics de cem mil pessoas no parque Eduardo VII.

Traficante: Então ‘stôr? Vem às comprinhas da linha doce? Onde bate bem, pagando tão pouco.

K: Põe o costume.

Traficante: Eish lá. Esqueci-me quanto é o costume. Olhe, leva aqui este saquinho que chega para si, acho.

Kamon: Isto é que é serviço personalizado, parece a mercearia do senhor António! Leve aqui este grama de farinha, e tal! Isto é com fermento, boa para os bolos.

Traficante: Qualquer dia levas um tiro.

Kamon: Se tu sacasses da pistola davas um tiro nos pés, imbecil. És tão fissuras, nem tens força para levantar a pistola. Com essa massa és irrelevante para a Ergonomia.

Ah ah, tenho tanta piada.

Traficante: Mas eu queria pedir-lhe uma coisa, ‘stôr, era se poderia pagar em genéricos.

Kamon: Então mas ele vem comprar directamente à marca, não entendo!

Traficante: Você é burro! Eu explico. Pagar em genéricos é pagar em qualquer coisa que não seja em dinheiro. No meu caso umas explicaçõezinhas de português.

Kamon: Bem precisas, ó iluminado. Bem, deixa-me ir ali à farmácia comprar um medicamento género.

O traficante já me conhecia, e quando me aproximo o suficiente, ele reconhece-me e tenta sacar da pistola. O Tanner apercebeu-se disto e reagiu de imediato, dando-lhe um tiro no joelho. Quem diria que aquele ser em forma humana, teria capacidades mentais de levantar o rabinho do seu Focus, antecipando uma cena de pancadaria à antiga, do tempo do Alentejo sem lei. A partir daqui, ele é o Chuck Norris. O Hércules sem cérebro do grupo. O Michael Knight sem permanente. O Jones saiu imediatamente do carro e indo em direcção ao traficante para revistá-lo, apreende a droga. Aí, o traficante muito espantado, exclama:

Traficante: Ei meu, eu conheço-te! Lembras-te, daquele dia em Rio de Mouro?

Jones: Estás a insinuar que nós somos todos iguais?!

Traficante: Não man! Compraste-me branca, quando eu vendia lá em Rio de Mouro meu!

Jones: Não, deves estar a confundir-me com outra pessoa. Tenho um amigo que parece ser meu sósia. Sabes, é que nós somos muito parecidos uns com os outros…

Tanner: Questadizer, seu dealer de meia tijela?! ‘Tás bem, Kamon? Foste muito corajoso. [sussurrando] E o escape ‘Remus’, continua de pé?

O traficante foi preso e de repente, a minha musa salta da porta da loja, preocupadíssima comigo.

Musa: Tu estás bem? Possa, que grande susto, não? Aposto que te cagaste todo!

Kamon: O quê?

Musa: Nada, era uma piada.

Kamon: Ah. É que eu tenho a ideia, talvez seja preconceito, de que a comédia tem uma inteligência inerente em si. Característica que não encontrei na tua saída… Isto sim, é comedia… não romântica, ao que parece.

Fiquei extremamente decepcionado. A minha musa era uma bronca! Nunca mais vou fiar-me nas aparências. Quero uma gordalhufa para casar! Mas o forrobodó ainda estava para começar. Quando cheguei a casa foi o pior…



(continua...)

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Episódio 4. Stonexxx (parte 1)

Estava louco, inundado em pensamentos depravados. Tudo porque vi a minha musa, a causadora deste sentimento platónico. Felizmente, tive a ousadia de criar dois mestres do engate (se não necessitasse deles seriam enxovalhados por mim) para me resolverem este imbróglio. A ideia deles: ridícula. Impressionar a rapariga numa rusga policial? Quem impressiona quem? Eu ou os dois macacos? Veremos no que dá…

Feitas as apresentações (para quem não tem cérebro, o Prof. ‘K’ está incapacitado com uma ressaca, portanto quem comanda este navio em vias de naufragar sou eu, Kamonstein.) contarei aqui a história da minha vida, em como antes de ser humano, era um cavalo-marinho que falava. Ou seja contar uma história com pés e cabeça. Deviam mostrar isto nas escolas e comentarem: é assim que se contam historias.

Tanner apareceu estranhamente nu. Jones olhava para ele com um olhar reprovador e com um sorriso escondido. Bem, o Jones é Afro-americano… Instantaneamente apareceu o Ramon, que também estava em casa, penetra como sempre.

Kamon: Deu-te o cheiro foi?

Ramon: Pensava que ele tinha maior… potencial…

Tanner: Aqui está frio. Quando o vires no calor do momento, até te assustas. Ou não me chamo eu, José “Mitos” Tanner.

Kamon: Tchau, florzinha!

Essa coisa abandonou a sala, ainda a olhar para o bimbo do “Mitos”.

Jones: Se ele não saísse, mandava-lhe um tiro.

Tanner: Isso é tudo ciúme, por ele reparar em mim?

Jones: Sure…

Kamon: É assim, minhas bestas, que fique bem claro. Sou eu quem manda aqui. Vá, agora, como é que vocês querem fazer a ‘missão’?

Jones: Então é assim…

Enquanto o Jones falava, começámos todos a ouvir uma música de fundo, que não nos deixava escutar o plano, o primeiro a aperceber-se disso foi o Tanner, que o interrompeu, de olhos brilhantes e arregalados.

Tanner: Desculpa, perdi-me quando estavas a falar no escape ‘Remus’.

Jones: Mas eu não falei em nada disso.

Tanner: Sério? Tinha a certeza que alguém tinha mencionado ‘Remus’.

Kamon: Isso era quando estávamos a discutir sobre o novo filme do Harry Potter, e o futuro do professor Lupin.

A partir daí acertámos todas as agulhas do plano.

Kamon: Isso é capaz de dar certo. Tal e qual como quando o Filipe II, de Espanha planeou atacar a rainha Elizabeth.


Continua...


(Esta história é demasiado longa, por isso decidimos sem unanimidade em dividir o texto em duas partes. Apenas a segunda parte tem ilustração.)

Quinta-feira, Setembro 04, 2008

Entrevista a Eduardo Rilhas e Tiago Gameiro sobre a serie "Projecto 666"



Ao ouvir isto, a vossa vida mudará para sempre (mas só ouvindo do início ao fim).