Sábado, Novembro 22, 2008

Episódio 6. Stonexxx (parte 3)


Foi a maior desilusão do ano. Maior ainda do que quando a Manuela F. Leite ganhou ao Pedro Passos Coelho para o cargo de secretária geral. Maior do que quando descobri que após a Revolução Francesa, foi Robespierre que ficou no poder. Maior ainda do que a PS3 em comparação com a X-Box 360.
Só não é maior do que a desilusão que tive quando soube que ia haver um Saw 5, ou Home Alone 4.
Cheguei a casa, e o Prof. K estava à minha espera, qual pai que espera a filha de 16 anos que chega a casa depois das 17:30. Expliquei-lhe o sucedido e ele em tom de desaprovação, começou logo a censurar-me.

Prof. K: Eu não queria ser o velho do Restelo, mas via-se logo que isso não ia dar em nada.

Kamon: Tu? Pelintra como tu és, só se fosse velho do Intendente. Ah, o teu "dealer" foi preso.

Prof. K: O quê!? Tu estás maluco? Eu já andava a ressacar e tu agora ainda me fazes isto? E agora, como é que eu escrevo o meu diário, à maneira do surrealismo?

Kamon: Eu logo vi que para criares alguém tão altamente como eu, tinhas de estar sobre o efeito de drogas. Porque essa criatividade é zero.

Prof. K: E agora meu merdas? Como é que eu faço para ter droga?

Kamon: Eu diria para usares a cabeça, mas visto já a doaste toda ao cagalhão, usa o Moleskine.

Cagalhão: Chamaram!?

Kamon e Prof. K (uníssono): Não!!

Prof. K: Vou acabar é com esta vida. Hei-de escrever isto sem recorrer a drogas. Vá, aqui vou eu... (Passado 15 minutos)... Como é que se escreve 'a'?

Kamon: 'A'?

Prof. K: Sim, para começar: "A história passa-se desta maneira".

Kamon: A sério, usa o Moleskine.

Nessa noite, o Prof. K criou mais um personagem, após ter tentado inúmeras vezes, e ter apagado em seguida, a quem demos o nome de Stonexxx, por razões óbvias. Eu acho que não consigo descrever esta personagem, porque era um ser algo disforme, mas tinha olhos semicerrados e barriguinha e uma atitude relaxada.
Assim que o vimos pela 1ª vez tentou logo impingir-nos droga, e o seu poder de persuasão era tão grande que todos acabámos por ceder. Aquele senhor da droga era capaz de vender droga a Deus, caso ele existisse e tivesse uma "Hellgirl's Mansion".
Depois disso, só me lembro de ter entrado no mundo do país, do universo, das maravilhas, e descer no rio de morango indo desaguar ao mar de melancia. Fizemos também uma roda com os elefantes cor de rosa, as vacas que tossiam e as galinhas com dentes.
Para finalizar a minha memória dessa noite rezámos aos deuses Maradona, Jimmy Hendrix e John Bonham.

Domingo, Novembro 16, 2008

Episódio 5. Stonexxx (parte 2)


Estávamos agora na rua em frente à vitrina onde a minha musa trabalhava. Estava tudo a postos. O plano traçado. Nada poderia falhar. Enquanto esperávamos e revíamos o plano, o Tanner sintonizou a rádio Orbital.

Tanner: Estou ansioso por dar este golpe. A ver se finalmente compro o escape ‘Remus’.

Jones: Mas de que porra é que ‘tás a falar?

Tanner: Então meu, o escape ‘Remus’! Depois de termos o dinheiro do golpe devo ser capaz de o comprar, ou não? Ao menos um tubo de escape!

Kamon: Mas estás a falar de quê Gervásio?

Jones: Vai mas é separar garrafas!

Tanner: Mas vocês estão-se a tripar ou o quê? Já não se lembram do plano, estes queimados!

Jones: É o seguinte. Isto não é um golpe. Ou melhor é…

Tanner: Vês! Depois sou eu que percebo mal, afinal é um golpe!

Jones: …para o Kamonstein engatar a miúda dele! Aproveitamos e somos promovidos na nossa esquadra.

Já não podia aguentar esta discussão, saí do carro e disse que ia agir. Mas logo voltei a entrar. Estava demasiado nervoso. Não ia resultar, e eu ia perder para sempre a minha Vénus do sec. XXI.

Tanner: Então otário? ‘Tás aqui a fazer o quê?

Kamon: Não sou capaz.

Tanner: Vês Jones!? Isto é o que dá não trabalhares com profissionais!

Ganhei coragem, era desta… O plano era meter conversa com um traficante de droga, um que por sinal vendia ao professor Kerberos, mas isso era uma coincidência, ou não. Lembro-me perfeitamente de cá ter vindo com o prof. K. O traficante era um surfista, um desses miúdos que foram à antestreia do High School Musical, um daqueles rapazes com rastas, aquilo a que eu costumo chamar de ‘verdes’. Daqueles que dizem que não gostam de tourada e quando argumentam contra, dizem perceber tudo sobre a tourada e, no entanto, não são toureiros, nem têm ninguém ligado a tal arte. Que insinuam sobre vários assuntos, cujos não percebem. Isto foi na altura em que o K estava a dar aulas de substituição porque uma professora de secundária estava grávida pela terceira vez nesse ano. Mas por outro lado, acho que é um direito deles fazerem passeios e pic nics de cem mil pessoas no parque Eduardo VII.

Traficante: Então ‘stôr? Vem às comprinhas da linha doce? Onde bate bem, pagando tão pouco.

K: Põe o costume.

Traficante: Eish lá. Esqueci-me quanto é o costume. Olhe, leva aqui este saquinho que chega para si, acho.

Kamon: Isto é que é serviço personalizado, parece a mercearia do senhor António! Leve aqui este grama de farinha, e tal! Isto é com fermento, boa para os bolos.

Traficante: Qualquer dia levas um tiro.

Kamon: Se tu sacasses da pistola davas um tiro nos pés, imbecil. És tão fissuras, nem tens força para levantar a pistola. Com essa massa és irrelevante para a Ergonomia.

Ah ah, tenho tanta piada.

Traficante: Mas eu queria pedir-lhe uma coisa, ‘stôr, era se poderia pagar em genéricos.

Kamon: Então mas ele vem comprar directamente à marca, não entendo!

Traficante: Você é burro! Eu explico. Pagar em genéricos é pagar em qualquer coisa que não seja em dinheiro. No meu caso umas explicaçõezinhas de português.

Kamon: Bem precisas, ó iluminado. Bem, deixa-me ir ali à farmácia comprar um medicamento género.

O traficante já me conhecia, e quando me aproximo o suficiente, ele reconhece-me e tenta sacar da pistola. O Tanner apercebeu-se disto e reagiu de imediato, dando-lhe um tiro no joelho. Quem diria que aquele ser em forma humana, teria capacidades mentais de levantar o rabinho do seu Focus, antecipando uma cena de pancadaria à antiga, do tempo do Alentejo sem lei. A partir daqui, ele é o Chuck Norris. O Hércules sem cérebro do grupo. O Michael Knight sem permanente. O Jones saiu imediatamente do carro e indo em direcção ao traficante para revistá-lo, apreende a droga. Aí, o traficante muito espantado, exclama:

Traficante: Ei meu, eu conheço-te! Lembras-te, daquele dia em Rio de Mouro?

Jones: Estás a insinuar que nós somos todos iguais?!

Traficante: Não man! Compraste-me branca, quando eu vendia lá em Rio de Mouro meu!

Jones: Não, deves estar a confundir-me com outra pessoa. Tenho um amigo que parece ser meu sósia. Sabes, é que nós somos muito parecidos uns com os outros…

Tanner: Questadizer, seu dealer de meia tijela?! ‘Tás bem, Kamon? Foste muito corajoso. [sussurrando] E o escape ‘Remus’, continua de pé?

O traficante foi preso e de repente, a minha musa salta da porta da loja, preocupadíssima comigo.

Musa: Tu estás bem? Possa, que grande susto, não? Aposto que te cagaste todo!

Kamon: O quê?

Musa: Nada, era uma piada.

Kamon: Ah. É que eu tenho a ideia, talvez seja preconceito, de que a comédia tem uma inteligência inerente em si. Característica que não encontrei na tua saída… Isto sim, é comedia… não romântica, ao que parece.

Fiquei extremamente decepcionado. A minha musa era uma bronca! Nunca mais vou fiar-me nas aparências. Quero uma gordalhufa para casar! Mas o forrobodó ainda estava para começar. Quando cheguei a casa foi o pior…



(continua...)