Quinta-feira, Agosto 14, 2008

S. Mamede

Por motivos de festas populares na nossa terra (e de não termos texto/ilustração para sexta-feira), o Questadizer lançará o texto apenas para a semana...



Também merecemos umas férias.


até para a semana
continua...

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Episódio 2. Ataque dos Clones



Kostas: Chamo-me Kostas, mas o Professor ‘K’ chama-me Costelas, ou Costalengas, ou Costeletas, ou Crustáceo, ou Crosta… ou Costim…ou…Cagalhão.

Kamon: Nada mais incorrecto. Ao olhar para ti, vejo logo que o teu nome ideal seria Cabeças.

Ainda agora esta tourada tinha começado e já estava farto do meu diário. Pensei em escrever antes um livro… Olha os filhos da Jennifer Lopez! Ah, tão lindos. É como ver um Picasso pela primeira vez… depois de sair do Louvre… ai o Cubismo, o Cubismo… nunca percebi o Cubismo, tudo deformado e tal.

Mas como estava a dizer, pensei em escrever uma peça de teatro! Uma peça de teatro que falava de um escritor frustrado que compra um Moleskine mágico e cria duas personagens que… ACORDA! Concentra-te, vá, pensa… ah não consigo. Bem, vou buscar umas bolachinhas. Mais logo continuo a contar a história do poema que pensei em escrever. Aquele que tem a frustração como tema, e o sujeito poético é um escritor que compra um Moleskine… Ó MEU DEUS! Estou obcecado com isto! Não há remédio senão continuar…

Continuarei pois. Depois de ter criado o Kamonstein senti que precisava de companhia. Pois o propósito de ele ser criado era fazer-me companhia nos jogos, e agora ele reivindicava a Playstation 3 e até a Master System somente para ele.

Kamon: Tu passaste da Master System para a Playstation 3? Não houve aí consolas intermédias? Do género Mega Drive, Super Nintendo, Sega Saturn, Nintendo 64, X Box, Gamecube, Dream Cast…

Professor ‘K’: Já percebi! É a minha história ok?

Kamon: Não é por nada mas pareces o Japão. Passou da Idade Média para a Idade Tecnológica. Não houve Idade Moderna. Vieram atacar os Estado Unidos com espadas de bambu. E agora podia gozar com os 7 Samurais! Mas para isso tinha de ver o filme primeiro!

‘K’: Ah ah! Tenho tantos conhecimentos! Vê lá se não queres ir dar aulas para o ISCTE! Posso apresentar o Cagalhão ou não?

Como eu ia a dizer… o que é que eu ia a dizer? É melhor começar de novo. Como o Kamon não satisfazia as minhas necessidades afectivas, e limitava-se a andar pela casa a pavonear o intelecto e a gozar comigo e com tudo (criticas que, por vezes não faziam sentido, pois os argumentos eram inconsistentes), decidi que tinha que lhe criar um rival. Mas… para rivalizar com ele em quê?

Descobri a virtude do Kamon nas consolas quando eu estava a jogar Master System sozinho, mais uma vez, sem ganhar. Eu deixei o jogo e fui buscar um copo de leite com chocolate. Quando cheguei, ele estava já no último nível.

Kamon: Realmente este Sonic é mesmo difícil de se passar até ao fim! Esforcei-me tanto como o Luís Filipe se esforça a jogar pelo Benfica!

‘K’: Mas quem é que tu pensas que és? Todo Arrogante! O que é que tu fizeste na vida, dr. House, ou devo dizer…Shark?

Kamon: Eu sou aquele que passei o jogo que tu andavas há anos para conseguir passar… como se chama mesmo? Sonic, Sonic 1, Sonic?

‘K’: Na verdade…

Kamon: Sonic.

‘K’: Deixas-me?...

Kamon: Sonic…

Tornou-se claro para mim que tinha de criar um rival à altura para este tipo de despique. Uma rivalidade tão forte como a de Morangos com Açúcar e Rebelde Way! Essas novelas que ficaram conhecidas pelo re-fixe e pela Estrelinha.

Nessa noite retirei o meu Moleskine do cofre e abri-o pela segunda vez na vida. Nesse dia pensei: ‘F***-se… fui mesmo enganado, ainda por cima o Moleskine é de folhas grossas, 40 míseras páginas’.

Em seguida, criei um Nerd actualizadíssimo, o último fanático dos computadores, que sabe tudo sobre tudo o que há a saber nos PC’s, que sabe mais ainda que a PC gamer… ok, vocês já entenderam. Eu criei… o Kostas!

Kamon: Então e nem uma Playstation? A PS One, A PS2, a PSP, a Nintendo DS, O Game Boy Advance… Não?

Continua…

Sábado, Agosto 02, 2008

Projecto 666


Após uma serie de episódios curiosos na minha vida, digamos caricatos, do género cómico, mas com algum drama também, mas acima de tudo… episódios, resolvi iniciar, pelo princípio um diário da minha vida, que retratasse toda a minha experiencia como ser humano. Em suma, resolvi iniciar um diário para nele depositar a minha vida.

Mentes brilhantes, e outras que não pagaram a conta da EDP, cogitarão certamente o porquê desta decisão. Eu explico: apeteceu-me.

Além de me apetecer, também é porque ninguém tem fé nas minhas capacidades como artista. Nem é bem como artista, é mais como trabalhador. Ou como pensador. Bem, ninguém acredita em nenhuma das minhas capacidades. Dizem que sou incapaz de acabar um projecto. Bem, na verdade, até agora posso dizer que… têm razão.

Mas chega de falar de mim. Sou licenciado num curso da Faculdade de Letras cujo nome já não me recorda bem, porque, na realidade, nunca me serviu para nada. Após a faculdade nunca trabalhei, aliás, nunca me adaptei a nenhum emprego na vida, passo os dias a escrever, e de vez em quando invento um slogan para um anúncio televisivo. Em seguida, gasto o dinheiro todo no Casino Estoril, muito rápido. Fora isso, vou vivendo de uma pensão que o meu pai criou quando era vivo.

Até agora, a minha vida é tal e qual como a de outro falhado qualquer da Faculdade de Letras, e olhem que existem muitos, mas... e se eu vos disser que tenho 7 amigos reais que fui eu que os criei!? Ok vá, podem não ser amigos, mas reais, ah lá reais eles são.

Também real, e ele sim, meu amigo é o Ramon, espanhol de nacionalidade. Conhecemo-nos num workshop de literatura em que só estávamos os dois presentes. Até o ‘monitor’ achou o workshop muito chato, e não compareceu.

Desde então que sinto que o Ramon me está a tentar dizer qualquer coisa. Às vezes dou comigo trancado na mesma sala que ele. Outras vezes, em jardins bastante românticos, onde ele insiste em falar da nossa bonita amizade. Acho que o Ramon precisa mesmo de desabafar qualquer coisa. Os meus outros ‘amigos’ chamam-lhe o florzinha, talvez pela t-shirt com a imagem de uma rosa que ele vestia no dia em que nos conhecemos, não sei.

Dizem que sou chato, mas eu não me considero dos piores. Por isso é que tenho um amigo, há chatos que têm zero. (Isto é para ti pai, toma!). Adiante. Um dia andava eu pela zona de Belém quando entro na Universidade Lusíada com uma bomba e faço explodir aquilo tudo. Boom, toma lá morangos com açucar! Ahah! Enganei-vos bem, não? Sou tão engraçado. Mas vá, agora a sério. Entrei lá na papelaria e decidi comprar um Moleskine para tomar notas quando passeasse por Sintra. O bloco custava 20 €. Eu fiquei tão admirado com este preço que tive o seguinte diálogo com a senhora da loja:

- Vinte Euros? Isto deve fazer magia não?

- Nem tu sabes.

Fiquei intrigado com esta resposta, pois aquela voz era certamente de homem, mas não liguei, mas de certeza que era uma drag queen, mas não liguei. Decidi abandonar a loja rapidamente, não fosse a senhora querer vender-me uma esferográfica vibratória por cinco Euros.

À noite, num momento de solidão, na casa de banho, saco do Moleskine e começo a descrever o personagem do meu próximo livro. Este iria falar sobre a pessoa que me completaria, alguém que acabasse com os meus momentos de solidão. Esta personagem ajudar-me-ia a escrever, a fazer-me companhia, e acima de tudo, seria alguém com que poderia jogar Playstation 3 e Master System pois nunca tinha conseguido acabar um jogo, tendo mais dificuldade nos jogos da Master System. Aquele Sonic 1 ainda hoje me dá cabo dos nervos. Foi por isto que comecei a jogar todos os dias na Árvore das Patacas, do programa da Fátima Lopes.

O que se seguiu foi absolutamente bizarro. O Moleskine brilhou em tons de roxo e preto e a minha criação começou a tornar-se real! Isto tudo, ao mesmo tempo que defequei um daqueles bem valentes. Coincidência? Acredito que tudo acontece por uma razão. (Mas afinal aqui foi mesmo coincidência, ou não, mas acho que sim, mas talvez não. Não, acho que foi mesmo coincidência).

Eu criei um monstro! A nossa primeira conversa foi a seguinte:

- Aaaaaah!

- Adorei o discurso eloquente. Sei que sou bonito mas segura o chichi, já que quando me criaste não seguraste o cocó. Eu sou o Kamonstein, não é derivado de Frankenstein, mas sim de Einstein. Podes-me tratar por Kamon.

- Tendo em conta que fui eu que te criei, e nem sequer tive o direito de te pôr um nome, era o mínimo que podias fazer.

- E o mínimo que tu podias fazer, era criar-me preparado para jogar PC também. Bem, agora vou ver o Dragon Ball, não me chateies.

- Como é que tu sabes que isso existe, sequer?

- Estamos a falar do Kamonstein. Tchau.

Continua…