É sexta-feira de manhã, sentado no seu lugar, em Oficina de Artes, Tiago espera o momento da verdade, o momento que anseia, desde que entregou o último trabalho auto-biográfico, a três dimensões. Este deu-lhe muito trabalho, durante mais de uma semana, atarefado como um modesto professor, conseguiu completar o pessoal trabalho denominado de Relíquia. Foi o mais negro, pessoal, inspirado trabalho realizado pelo dedicado Tiago. Chegou o momento, o professor sorridente mal acabara de afixar a folha com as notas, um bando de abutres correu em sua direcção, impedindo o Tiago de acabar com a sua pequena angústia. Depois dos abutres terem visto a nota de toda a gente, como se fosse a sua, porque é importante esfregar na cara de quem não nos liga nenhuma, a nota miserável que tiveram, comparada com a deles, e, no entanto, não terem talento artístico nenhum mas, provando que o único talento prestável na sociedade contemporânea é o saber lamber as botas sem deixar marcas, Tiago chega ao ponto da desilusão, não era a nota que ele esperava, nem a que merecia, afinal ser um social bonito e abelhudo compensa.
Ele teve uma nota mediana, fraca para o trabalho que teve e criou. Teve nota inferior à maior parte dos trabalhos, muitos deles chegando a uma boa nota podendo levar uma crítica do tipo: "Isso é arte?". Pelos vistos é arte, uma dúzia de fotografias antigas, espelhos quebrados, foram trabalhos tão diferentes... Não, simplesmente eram pessoas muito parecidas e com os mesmos gostos, para não falar do trabalho que era um pequeno tronco de árvore, com uma bola de golf e uma prancha de surf miniatura, esse teve quinze, o fraco trabalho do Tiago, uma réplica de um olho a gesso, mais profundo do que anterior, teve treze, contudo a arte é subjectiva e notas não interessam a ninguém. A humilhação começava a apoderar-se do seu espírito depressivo. A raiva, antes patente no seu trabalho, vinha agora ao de cima. Só pensava em arquitectura, praticamente fugiu-lhe das mãos. Os que tiveram melhores notas, provarão, no futuro, se mereceram-nas ou não...
Hilf Mir
Há 11 anos