Domingo, Novembro 16, 2008

Episódio 5. Stonexxx (parte 2)


Estávamos agora na rua em frente à vitrina onde a minha musa trabalhava. Estava tudo a postos. O plano traçado. Nada poderia falhar. Enquanto esperávamos e revíamos o plano, o Tanner sintonizou a rádio Orbital.

Tanner: Estou ansioso por dar este golpe. A ver se finalmente compro o escape ‘Remus’.

Jones: Mas de que porra é que ‘tás a falar?

Tanner: Então meu, o escape ‘Remus’! Depois de termos o dinheiro do golpe devo ser capaz de o comprar, ou não? Ao menos um tubo de escape!

Kamon: Mas estás a falar de quê Gervásio?

Jones: Vai mas é separar garrafas!

Tanner: Mas vocês estão-se a tripar ou o quê? Já não se lembram do plano, estes queimados!

Jones: É o seguinte. Isto não é um golpe. Ou melhor é…

Tanner: Vês! Depois sou eu que percebo mal, afinal é um golpe!

Jones: …para o Kamonstein engatar a miúda dele! Aproveitamos e somos promovidos na nossa esquadra.

Já não podia aguentar esta discussão, saí do carro e disse que ia agir. Mas logo voltei a entrar. Estava demasiado nervoso. Não ia resultar, e eu ia perder para sempre a minha Vénus do sec. XXI.

Tanner: Então otário? ‘Tás aqui a fazer o quê?

Kamon: Não sou capaz.

Tanner: Vês Jones!? Isto é o que dá não trabalhares com profissionais!

Ganhei coragem, era desta… O plano era meter conversa com um traficante de droga, um que por sinal vendia ao professor Kerberos, mas isso era uma coincidência, ou não. Lembro-me perfeitamente de cá ter vindo com o prof. K. O traficante era um surfista, um desses miúdos que foram à antestreia do High School Musical, um daqueles rapazes com rastas, aquilo a que eu costumo chamar de ‘verdes’. Daqueles que dizem que não gostam de tourada e quando argumentam contra, dizem perceber tudo sobre a tourada e, no entanto, não são toureiros, nem têm ninguém ligado a tal arte. Que insinuam sobre vários assuntos, cujos não percebem. Isto foi na altura em que o K estava a dar aulas de substituição porque uma professora de secundária estava grávida pela terceira vez nesse ano. Mas por outro lado, acho que é um direito deles fazerem passeios e pic nics de cem mil pessoas no parque Eduardo VII.

Traficante: Então ‘stôr? Vem às comprinhas da linha doce? Onde bate bem, pagando tão pouco.

K: Põe o costume.

Traficante: Eish lá. Esqueci-me quanto é o costume. Olhe, leva aqui este saquinho que chega para si, acho.

Kamon: Isto é que é serviço personalizado, parece a mercearia do senhor António! Leve aqui este grama de farinha, e tal! Isto é com fermento, boa para os bolos.

Traficante: Qualquer dia levas um tiro.

Kamon: Se tu sacasses da pistola davas um tiro nos pés, imbecil. És tão fissuras, nem tens força para levantar a pistola. Com essa massa és irrelevante para a Ergonomia.

Ah ah, tenho tanta piada.

Traficante: Mas eu queria pedir-lhe uma coisa, ‘stôr, era se poderia pagar em genéricos.

Kamon: Então mas ele vem comprar directamente à marca, não entendo!

Traficante: Você é burro! Eu explico. Pagar em genéricos é pagar em qualquer coisa que não seja em dinheiro. No meu caso umas explicaçõezinhas de português.

Kamon: Bem precisas, ó iluminado. Bem, deixa-me ir ali à farmácia comprar um medicamento género.

O traficante já me conhecia, e quando me aproximo o suficiente, ele reconhece-me e tenta sacar da pistola. O Tanner apercebeu-se disto e reagiu de imediato, dando-lhe um tiro no joelho. Quem diria que aquele ser em forma humana, teria capacidades mentais de levantar o rabinho do seu Focus, antecipando uma cena de pancadaria à antiga, do tempo do Alentejo sem lei. A partir daqui, ele é o Chuck Norris. O Hércules sem cérebro do grupo. O Michael Knight sem permanente. O Jones saiu imediatamente do carro e indo em direcção ao traficante para revistá-lo, apreende a droga. Aí, o traficante muito espantado, exclama:

Traficante: Ei meu, eu conheço-te! Lembras-te, daquele dia em Rio de Mouro?

Jones: Estás a insinuar que nós somos todos iguais?!

Traficante: Não man! Compraste-me branca, quando eu vendia lá em Rio de Mouro meu!

Jones: Não, deves estar a confundir-me com outra pessoa. Tenho um amigo que parece ser meu sósia. Sabes, é que nós somos muito parecidos uns com os outros…

Tanner: Questadizer, seu dealer de meia tijela?! ‘Tás bem, Kamon? Foste muito corajoso. [sussurrando] E o escape ‘Remus’, continua de pé?

O traficante foi preso e de repente, a minha musa salta da porta da loja, preocupadíssima comigo.

Musa: Tu estás bem? Possa, que grande susto, não? Aposto que te cagaste todo!

Kamon: O quê?

Musa: Nada, era uma piada.

Kamon: Ah. É que eu tenho a ideia, talvez seja preconceito, de que a comédia tem uma inteligência inerente em si. Característica que não encontrei na tua saída… Isto sim, é comedia… não romântica, ao que parece.

Fiquei extremamente decepcionado. A minha musa era uma bronca! Nunca mais vou fiar-me nas aparências. Quero uma gordalhufa para casar! Mas o forrobodó ainda estava para começar. Quando cheguei a casa foi o pior…



(continua...)

5 pessoas comentaram e não apanharam vírus:

Maggie disse...

Eu já li isto em qualquer lado..

Bem, finalmente um novo post, não é?
Agora convém fazerem publicidade, porque as pessoas já se devem ter esquecido deste blog.


Em relação ao novo episódio,
Está giro, tem várias partes engraçadas, que já referi, como o trocadilho (afinal, não propositado eheh) e agora esta parte da musa bronca. ahah Divinal.

Bem, mas agora vão desistir do golpe? lol, assim o Tanner já não pode comprar o seu escape Chunning!

Até ao próximo post.

Buh! disse...

o problema das "musas" é que poucas sao aquilo que aparentam ser. sao mais criações da nossa imaginação, vemos uma pessoa e inventamo-la segundo aquilo q gostavamos q ela fosse. e pior! ela nao tem culpa, é tão coitada q nem sabe...


as tuas historias são muito boas e fazem-me rir (o q nao é complicado..) ehehe

**

Pseudónima disse...

Pá, está giro. Coiso. x)

Algumas notas a fazer:

a) Em Rio de Mouro não existem situações de contrabando nem de consumismo toxicodependente. Meros boatos. Só existe igreja aos Domingos e muitos Católicos felizes, a prepararem a sua Réveillon. =x

b)O plano teve a sua graça, mas um Olá! à musa também teria dado resultado e a verificação da personalidade da Musa-bronca seria mais imediata. Logo, perdia-se menos tempo. É.

c) As gordalhufas divertem-se mais. Ou são as loiras. Já não sei.

E mais qualquer coisa que entretanto me esqueci.

Gostei muito, demorem menos de um mês para o próximo, pode ser? ** e *

Anónimo disse...

nao entendo a obsessao com rio de mouro... damaia, monte abraao sao melhores para contrabandos!


quero uma gordalhufa loira... essas sim devem ser a loucura.

de resto.. estao autorizados a continuar... e sim.. demorem um bocadinho menos de tempo, é que se não uma pessoa tem q ir reler tudo porque ja se esqueceu de metade.

Bernardo disse...

se quiserem fazer disto um filme têm a floribela...